A Onda...

A Onda...

 

“(...) e assim vinha a onda à beira da praia, na vinda as lembranças de quem por ela passara, na volta, engolira e arrastara a quem por audácia a enfrentara...”

 

            Há nove anos atrás, metaforizava-se que uma onda repleta de sangue levava a todos que nela encostava. Dizia-se que um homem que por lá sempre navegava, estrangulava qualquer um que em suas águas pisara, desmembrando todo o corpo e jogando aos poucos no mar. Seus olhos impregnava o sangue, em suas mãos trazia sempre o seu arame, o qual era o instrumento principal de seus assassinatos. O homem das ondas como era conhecido, sem qualquer explicação sumistes em meio ao nada.

            Beatriz sempre ía à praia com seus pais nos finais de semana, e como toda típica jovem de 17 anos, adorava ir em festas; seu forte era se divertir e curtir o máximo que pudesse. Sempre que podia, fugia de casa para se aventurar, infelizmente, fugir nesta noite não fora uma boa escolha...

            Já passava-se das dez, a noite estava congelante e o vento parecia arrastar as palmeiras. Beatriz não se importava com o tempo, era capaz de qualquer coisa para driblar o tédio, então, decide ir à praia observar as ondas do mar. Era possível escutar as ondas se quebrando nas rochas com uma força muito intensa, a fúria do mar parecia engolir a areia, Beatriz sem nenhum temor mais perto se aproximara.

            Uma luz surgia no meio do mar, Beatriz estranha e decide subir nas rochas para melhor observar. Estavam muito escorregadias mas ainda assim, conseguiu subir; a luz se aproximava cada vez mais:
 

“ Tem alguém aí?! ”

            Gritava com sua maior intensidade, mas nada a respondia, até que uma onda forte vem em sua direção ocasionando em seu desequilíbrio e fazendo-a cair no mar. Beatriz se desespera e começa a clamar por socorro! O barco que emitia a luz vinha em sua direção, quando finalmente a alcança, um homem alto, barbudo e de olhos vermelhos levava em suas mãos um arame todo ensanguentado!

 

“ Como Ousa?! “

 

            Beatriz tenta nadar até a praia mas já era tarde demais, o homem a prende em seu barco e arrasta-a para alto mar! Sem reação, já não conseguia mais gritar, sua vista escurecia aos poucos e sua consciência já não existira. Estaria perto o seu fim?

 

No dia seguinte...

 

            Só era possível escutar o barulho do mar e as ferramentas que no barco estavam penduradas, balançando de um lado para o outro, Beatriz estava amarrada e amordaçada. As lágrimas escorriam de seus olhos e o desespero estava estampado em sua face. Por ser muito persistente, lutara até suas forças acabarem; se debatia tentando soltar suas mãos até que enfim consegue. Se levanta rapidamente e toma em suas mãos um martelo, vagarosamente espera o homem ao lado da porta.

            Quando enfim aparecera, Beatriz sem pensar duas vezes dá um golpe com o martelo em sua cabeça fazendo-o ficar desacordado. A jovem sai correndo e leva o barco o mais próximo possível da praia. Sem esperar, o homem acorda furioso! Era possível sentir sua sede de sangue, corre atrás da jovem e entram em uma constante e desesperadora luta. Ele corta seu rosto mas ainda assim Beatriz consegue empurrá-lo e fazer com que batesse sua cabeça na mesa e cair novamente desacordado.

            Beatriz prossegue, pula no mar e nada até alcançar a areia. Sem forças desmaia ao chegar, sendo levada ao hospital pelos banhistas. Seus familiares já estavam desesperados com sua ausência ocasionando até no acionamento da polícia. Beatriz manteve-se aquela noite no hospital e quando aos poucos ia acordando, pode ver ao lado de sua cama o homem com o arame em suas mãos. Ele olha em seus olhos, sorri e...

 

O perigo está em todo lugar, apenas aguarda uma pequena oportunidade para entrar em ação... “

Escrito por: Claudia Patricia da Cruz Silva - Todos os direitos reservados


Tópico: A Onda...

Não foram encontrados comentários.